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NOTÍCIA

  
Artigos - 08/03/2017

A reforma da Previdência e as mulheres (Walter Miranda)

Walter Miranda*

Mulheres são tecelãs, tecem sonhos com fios de lágrimas. Mulheres são tecelãs, tecem vidas com suas barrigas, com esperanças e alegrias infantis. Mulheres são feiticeiras, inventam magias e encantos, atraem e cativam com um simples olhar. Mulheres são meninas, acreditam em príncipes e finais felizes. Mulheres são guerreiras, enfrentam a luta com galhardia e não esmorecem mesmo quando cansadas. Mulheres são sábias, trazem toda a sabedoria do mundo ao repartir, entre os filhos, o pão, o carinho e o próprio tempo. Mulheres são especiais! Mulheres são anjos! Mulheres são mães, a mais perfeita tradução do ministério da eternidade! - Guiomar Cuesta

Neste dia 8 de março, reconhecido como o Dia Internacional da Mulher, milhões de pessoas irão às ruas em todo o mundo, inclusive no Brasil, para protestar contra as discriminações e opressões que elas ainda sofrem no mercado de trabalho, nas ruas e até nas próprias residências, vítimas de sociedades culturalmente machistas e racistas. 

Os principais veículos de comunicações, propositadamente ou por desconhecimento, não destacam a origem do dia 8 de março. Aprovado pela ONU no ano de 1977, o Dia Internacional da Mulher é uma homenagem às 129 mulheres operárias que trabalhavam na Tecelagem Cotton nos Estados Unidos e morreram carbonizadas e asfixiadas. O incêndio foi provocado pelo patrão em represaria a uma greve pela redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas diárias.

Por se recusarem ao trabalho, o patrão chamou a polícia que reprimiu violentamente as grevistas. Para se protegerem da pressão policial, elas se refugiaram dentro da fábrica, colocando cadeados nas portas. Indignado, o empregador jogou combustível em volta da fábrica e ateou fogo. Vejam, portanto, que é um dia de luto e de luta. Como tributo àquelas mulheres, a poetiza Guiomar Cuesta escreveu a poesia que usei na introdução. 

Numa sociedade capitalista e elitizada, a tendência, neste dia 8 de março, são homenagens às mulheres burguesas, empresárias, “primeiras-damas”, vereadoras, entre outras privilegiadas, como referências a serem seguidas. O comércio cria todos os motivos para, neste dia, alavancar as vendas, descaracterizando politicamente o verdadeiro motivo do dia. Mulheres trabalhadoras e pobres, das cidades e dos campos, discriminadas e oprimidas pelo sistema, normalmente são esquecidas até pelos seus Sindicatos neste Dia Internacional da Mulher. 

Muito se poderia falar nesse dia. Falar do aumento da violência contra as mulheres, denominado feminicídio, geralmente praticado por homens violentos numa sociedade machista. Falar do salário normalmente inferior ao dos homens. Falar da ineficácia da conhecida Lei da Maria da Penha. Falar das mulheres negras trabalhadoras e pobres, triplamente discriminadas por serem negras, pobres e trabalhadoras. Enfim, é inegável que as discriminações pelo gênero, classe social e raça caminham juntas. 

Não bastando tanta violência contra as mulheres, neste ano de 2017 o governo Temer, com a sua proposta de Reforma da Previdência Social, comete uma das maiores injustiças sociais contra elas. A proposta iguala a idade dela à do homem para fins de aposentadoria. Atualmente, a mulher se aposenta com 30 anos de contribuições, ou 15 anos de contribuições e 60 anos de idade, se trabalhadora urbana. Se trabalhadora rural, pode se aposentar com 55 anos de idade se comprovar 15 anos de atividades rurais.

A Reforma da Previdência Social, proposta pelo governo Temer, acaba com esses direitos. A trabalhadora urbana e a rural só irão se aposentar com 25 anos de contribuições e 65 anos de idade. Assim, a mulher trabalhadora urbana irá se aposentar cinco anos mais tarde e a rural 10 anos depois do que seria possível nas regras de hoje. 

A Reforma da Previdência que Temer quer aprovar é uma grande injustiça, considerando que a mulher trabalhadora geralmente tem dupla e às vezes tripla jornada de trabalho (emprego, atividades domésticas e cuidados com os filhos e idosos da família). Se a mulher começar a trabalhar com 16 anos, só se aposentará com 49 anos de atividades. 

Portanto, se o presidente Temer, neste dia 8 de março, efetuar algum discurso homenageando as mulheres trabalhadoras, terá que ser vaiado. Viva todas as mulheres de Penápolis, do Brasil e do mundo! No próximo dia 15 de março, todas à frente das manifestações em todo país contra a Reforma da Previdência Social do governo Temer. 

(*) Presidente do Sindifisco Nacional - Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal/Delegacia Sindical em Araraquara, pós-graduado em Ciências Contábeis pela PUC/SP, militante da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular). Escreve às quartas-feiras para o Diário de Penápolis (PE) - wm@sunrise.com.br.